
Os pais, na maioria das vezes, desejam que seus filhos
sejam excelentes alunos, que aprendam rápido, que se saiam bem nas provas,
tirem notas altas e que tenham um bom comportamento na escola. Entretanto, a
expectativa e a realidade podem ser bem diferentes.
Isso porque o processo de aprendizagem é influenciado por vários fatores, como
o ambiente escolar e familiar, o tipo de método de ensino, os traços de personalidade
da criança ou do adolescente, o comprometimento com os estudos e, claro, por
alguns transtornos que podem surgir e afetar o processo de aprendizagem e a
vida escolar.
A neuropediatra Andrea Weinmann faz
uma lista com seis motivos que podem estar por trás de um mau rendimento
escolar. Confira:
1- Problemas familiares:
O ambiente familiar interfere diretamente na vida escolar. A criança pode
apresentar problemas na escola relacionados à dinâmica familiar, como separação
dos pais, morte de um parente próximo, perda de um animal de estimação, mudança
de cidade, violência doméstica, pais com problemas emocionais, chegada de um
irmão, entre outros.
O que fazer:
Conversar com a escola, conversar com a criança e procurar entender quais
fatores podem estar influenciando as dificuldades da criança na escola. Caso a
criança apresente sinais de estresse, depressão ou ansiedade, também é válido
procurar ajuda de um psicólogo infantil ou ainda de um neuropediatra,
dependendo da gravidade do quadro.
2- Problemas na escola:
Nem sempre a escola que os pais decidiram matricular a criança é a ideal para o
perfil dela. Ou seja, o método de ensino pode afetar o processo de
aprendizagem. Mudanças de série, como a ida para o ensino fundamental e médio
também são aspectos que podem interferir no desempenho escolar. É preciso ainda
levar em consideração o relacionamento da criança/adolescente na escola. Será
que há situações de bullying, por exemplo?
O que fazer:
Os pais precisam avaliar todos os aspectos e conversar com a escola. Caso a
criança já tenha idade para entender as situações, vale também pedir a opinião
dela sobre a escola e checar se ela não está passando por agressões no ambiente
escolar, assim como avaliar a troca de escola.
3-Transtornos de
Aprendizagem (TA): Estima-se que 6% das crianças em idade
escolar apresentam algum Transtorno de Aprendizagem, sendo a dislexia o mais
prevalente e conhecido de todos. Os transtornos de aprendizagem são condições
neurobiológicas que afetam a aquisição e o desenvolvimento de funções do
cérebro relacionadas à aprendizagem.
A dislexia, por exemplo, fará com que a criança ou adolescente apresente
dificuldades na leitura, pois não consegue identificar as letras com precisão e
velocidade suficientes para formar as sílabas. Outro TA comum é a discalculia,
que gera dificuldades para aprender números e operações matemáticas em geral.
O que fazer:
Procurar um neuropediatra para o diagnóstico. Vale ressaltar que crianças que
apresentam algum transtorno de aprendizagem, no geral, têm um quociente de
inteligência normal. Isso significa que elas têm a capacidade de aprender
assegurada, porém necessitam de recursos diferenciados e acompanhamento
adequado para desenvolver seu potencial.
4-Transtorno de Déficit
de Atenção e Hiperatividade (TDAH): O transtorno, infelizmente,
afeta muito o processo de aprendizagem, o comportamento e a interação social na
escola. Segundo um estudo brasileiro, a área mais prejudicada é a escrita,
seguida da matemática e da leitura. Outro ponto é que os transtornos de
aprendizagem, tais como a dislexia, são muito prevalentes em crianças com TDAH.
O que fazer: O
diagnóstico do TDAH é confirmado por volta dos 6 anos, idade em que a criança
entra no ensino fundamental e pode ser feito por um neuropediatra. O processo
de aprendizagem requer um acompanhamento especifico, além de terapias que
possam ajudar a criança a explorar seu potencial, respeitando suas limitações.
5-Altas Habilidades: Anteriormente
chamado de “superdotação”, são as crianças que possuem um QI acima da média,
entre outras características. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde
(OMS), cerca de 5% da população tem altas habilidades. A questão é que tantos
os pais, quanto a escola, podem ter dificuldade em reconhecer um aluno com
altas habilidades. Outro ponto é que nem sempre a criança terá boas notas,
principalmente quando o assunto se tornar desinteressante para ela. A
curiosidade é uma característica marcante da superdotação. Ela aprende rápido,
gosta de conviver com adultos, adapta-se muito fácil a situações novas, tem
habilidades nas artes e pode ter um desempenho escolar ruim, porque dependendo
do método de ensino, não consegue se sentir motivada a aprender.
O que fazer:
Os pais devem procurar especialistas na área, como um neuropediatra, para uma
avaliação da criança. Será preciso procurar escolas preparadas para crianças
com altas habilidades ou ainda adotar outras estratégias que podem ser usadas
para melhorar o processo de aprendizagem.
6-Distúrbios do sono:
A insônia afeta drasticamente o processo de aprendizagem. Uma criança ou um
adolescente que não dorme ou dorme pouco, pode apresentar vários
comprometimentos na memória, atenção e concentração. Além disso, a privação do
sono aumenta a irritabilidade, pode tornar o comportamento do estudante
inadequado na sala de aula ou ainda causar problemas nas relações com colegas e
professores.
O que fazer:
O ideal é procurar um neuropediatra para avaliar a insônia e tratar a condição,
que na maioria dos casos irá envolver mudanças de comportamento e estratégias
para uma boa higiene do sono.
"O processo de aprendizagem é influenciado por diversos aspectos. Antes de
culpar a criança ou o adolescente pelo mau desempenho na escola, procure
conversar e entender o que está acontecendo", finaliza a dra. Andrea