Apesar de
ser considerado um desafio e exigir esforço, abandonar o tabagismo traz
benefícios que se sobrepõem a qualquer sensação de satisfação que possa
ocasionar ao fumante, seja física ou psicológica.
Segundo o
National Cancer Institute (NIH),
entre os 250 produtos químicos nocivos conhecidos no fumo do tabaco, pelo menos
69 podem causar câncer. A oncologista clínica Mariana Laloni, do
Centro Paulista de Oncologia (CPO), explica que os ganhos ao
organismo podem ser observados já a partir de 12 a 24 horas sem fumar, sendo
progressivos. “Neste período, o pulmão já volta a funcionar melhor. E, com o
tempo, há uma diminuição significativa do risco de desenvolver câncer”,
esclarece.
Um estudo
publicado recentemente por pesquisadores da Harvard Medical School,
no periódico científico Jama Oncology, reforçou que uma grande parte
dos novos casos de câncer e, até mesmo, de mortes ocasionadas pela doença,
podem ser prevenidas com atitudes como deixar de fumar; evitar o consumo
excessivo de álcool; manter um índice de massa corpórea (IMC) entre 18,5 e
27,5; e praticar exercícios por pelo menos 150 minutos em intensidade moderada
ou por ao menos 75 minutos em intensidade elevada a cada semana.
Segundo a
pesquisa estima-se que é possível reduzir o risco de novos casos de câncer como
o de pulmão e orofaringe relacionados com o tabagismo em 80% a 90%; e 60% para
outros tipos de câncer considerados mais comuns, como colorretal e bexiga,
sendo ambos relacionados ao estilo de vida. A análise sugere ainda que
para promover uma mudança nos casos novos de câncer relacionados a causas
evitáveis, deve acontecer uma modificação nas políticas públicas de saúde, como
elevação de tributação sobre produtos considerados nocivos como o cigarro, bem
como campanhas de conscientização junto à sociedade.
De acordo
com a oncologista, embora a Medicina tenha avançado e possua ferramentas para
diagnóstico precoce e os tratamentos estejam cada dia mais eficazes,
como no caso das opções terapêuticas para o câncer de pulmão, uma das
principais formas de combatê-lo ainda é com educação e prevenção, em especial
focada no público jovem. “Com iniciativas voltadas a esta parcela da população,
que ainda não foi iniciada no consumo do tabaco, podemos conseguir reduzir a
incidência de doenças ocasionadas pelo tabagismo, podendo alcançar de
uma população mais saudável e com qualidade de vida”, avalia ela.